...artigos 2013


Publicado em 10/01/2013

Atualizado em 15/01/2013


Palavras-chaves: Consumo responsável, greenwalshing, agricultura alternativa, monocultura, agropecuária orgânica e silvipastoril, agricultura familiar, manejo sustentável, pegada ecológica, Cora Rónai, sustentabilidade, Fernando Gabeira, Roda Viva


A ("rasa, larga, profunda") relação entre consumo e sustentabilidade


Por que consumir produtos comprovadamente benéficos ao meio ambiente é tão caro? Entenda-se por benéfico qualquer consumo que não prejudica a natureza. Em terra de cego, quem tem um olho é sustentável!


A ("rasa, larga, profunda") relação entre consumo e sustentabilidade


Por um lado a máxima de que o carimbo verde no rótulo indica produto caro. Fato.


Por outro, o conhecimento superficial da gestão ambiental nos mostra que o custo de ações ecologicamente viáveis (agricultura alternativa, que se opõe à monocultura; a agropecuária orgânica e silvipastoril; a agricultura familiar; o manejo sustentável etc., sem falar nas modernas técnicas de produção industrial) nem é tão alto assim, quando comparado ao da agricultura convencional. Fato.


No meio disso tudo, o ciclo de vida do produto cada vez mais “cotoco”. Fato que atende à natureza da acumulação de capital.

O que se pode fazer para sermos ambientalmente (mais) responsáveis? Pagar caro pelo produto cujo custo nem é tão mais alto assim? Pagar pela etiqueta? Prestigiar o mau exemplo das organizações que fazem greenwashing (falso esverdeamento da marca para dar ar de correção onde inexiste verdadeira responsabilidade ambiental)?


O caminho é o consumo responsável. Será tão necessário ter o iPhone 4 um ano depois de ter adquirido o 3 quando nem a última parcela deste ainda foi quitada? Ou adquirir o tablet cuja tecnologia 4G nem está disponível entre nós, reles brasileiros? Ou fazer um arco-íris de modelos iguais do tênis da moda, como se fôssemos centopeias?


Quando permitimos que o profissional de marketing nos faça crer que as respostas acima são "sim", travestimo-nos de narizes vermelhos. Autorizamos que assaltem nossas carteiras com toda nossa anuência. Essa não é a comunicação que eu quero fazer!

Toda vez que o consumo ultrapassar nosso bom senso (isso acontece com qualquer mortal - a ideia é diminuir esses atropelos!), é árvore a menos nas florestas, é água a menos nos rios, é gás do efeito estufa a mais na atmosfera, é pobreza a mais nas palafitas. O consumo desenfreado tem dezenas de causas, das psicológicas (muito bem utilizadas pelo marketing) às fisiológicas, passando por fricote, frescura, superfluidade etc. Consumir é MUITO bom. Mas se tudo é questão de hábito, encontrar alternativas bacanas também deve gerar uma boa dose de endorfina, não?


Reduzir a marcha do nosso consumismo é chave essencial para darmos mais fôlego à tão combalida Terra.


​artigo, da Cora Rónai, é um grande exemplo de "pegada ecológica" (comparação da quantidade de recursos naturais necessários para sustentar o consumo atual da população entre um e outro consumidor, que pode ser um país, região, continente etc.). Nele, ela nos ensina que "os Estados Unidos gastam mais energia com refrigeração (nota minha: ar condicionado) do que a África inteira gasta com tudo.".


Na próxima vez que comprar, reflita: preciso MESMO disso? O exercício dessa reflexão se reverterá muito mais brevemente do que imaginamos.


Consumir menos e melhor, isto é, mais eficientemente, é bom pro bolso. É ótimo pro país. Excelente pro planeta. E vital para o homem.


Mudemos já de atitude. Criança de 3 anos não precisa de iPad, recém-ex-adolescente de 20 anos não precisa de Camaro nem a dondoca precisa de 150 pares de Scarpin.


Ser bacana com a coletividade (o que inclui o meio ambiente!) é muito, muito mais legal do que ser motivo de inveja para o coleguinha do lado.


1. Ouvi na TV, INFELIZMENTE não lembro quem falou, a frase que sustenta toda a ideia do texto acima: diz a mulher na TV que a questão é quando o ato de COMPRAR é mais importante do que o ato de UTILIZAR o objetivo de consumo.


2. Outra consideração que ouvi também na TV, numa entrevista do Fernando Gabeira (​@gabeiracombr) ao Roda Viva (​@tvcultura) em 14/01/2013, é que a discussão de não consumir é racional (todos entendemos que o consumo desenfreado é a questão central da degradação ambiental), porém - e é sobre isso que devemos atentar - o fomento ao consumo, via publicidade, é extremamente emocional (é função precípua do marketing, já nos ensinam os livros, a criação de desejo). Ou seja, o pulo do gato é também "emocionar" o consumidor na defesa do meio ambiente através do consumo RESPONSÁVEL. E não apenas ladrar o óbvio.